Do vendaval

No vendaval da vida alguns caminham expostos às coisas levantadas do chão,

recebem no corpo e na alma o que vem.

Os que ainda têm olhos e mente pra ver e pensar

atiram no ar palavras que se dissolvem no uivo do vento.

Outros observam, bem protegidos, detrás de árvores e sólidos escudos, alguns em amplos espaços. Se alimentam da luta dos que estão no vendaval.

Destes protegidos uns poucos vivem de descrever o que vêem, com riqueza de detalhes,

da proteção de seus abrigos. A vida abrigada do vendaval é confortável.

Enviam-se mensagens de seus abrigos, vivem do vendaval, mas não nele. Para os que vivem o vendaval as mensagens não chegam e nem dizem nada que já não saibam na pele e na alma.

O vento carrega a alguns, enquanto outros se agarram ao que podem,

num seguir sem fim, até o esgotamento. Os que buscam abrigo não são seres do vendaval. 

No vendaval não se quer sobreviver. Se quer ser o vendaval e nele perecer.

Advertisements

About Mario Flecha

Libertarian feelings, thoughts, knowledge, spirit...
This entry was posted in Poetry & Prose/Poesia & Prosa. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s